O tema é amplo e merece todo respeito e atenção por parte de nós, anestesistas

Ao longo dos anos, me acostumei com uma situação específica, que me acompanha em todo dia de trabalho; depois de estudar o caso e os exames do meu próximo paciente, entro na sala para dar início ao procedimento anestésico, olho para o meu paciente (esse geralmente calmo, sempre me recebe com um “bom dia” cheio de lambidas) mas, quando olho para o tutor, esse último, com um olhar apreensivo me diz: “Doutor, eu tenho muito medo da ANESTESIA!”. Essa situação, em diferentes intensidades, se repete todos os dias e, muitas vezes, é passada despercebida ou, não é dada a devida atenção que a situação merece. Pois bem, pensando em garantir qualidade no convívio dos animais com seus tutores e, sabendo que cada vez mais eles vieram para se tornarem membros da família, é hora de discutir essa situação. Podem falar que é “tendencioso” um anestesistas falar sobre “medo da anestesia” mas é hora de se fazer entender e colocar o assunto em pratos limpos.

É necessário ponderar uma coisa de início, se ao longo dos anos, a evolução das técnicas cirúrgicas salvaram e deram qualidade de vida a milhões de pessoas e animais, é porque antes, a anestesia evoluiu para isso e, viabilizou tais cirurgias, dando conforto e aliviando a dor dos pacientes. Pois bem, as primeiras tentativas de “anestesia” se deram na antiguidade; na época, as não tão bem sucedidas técnicas (asfixia, uso de álcool, narcóticos e etc) eram testadas em humanos e para humanos. Os primeiros relatos de técnicas anestésicas em animais são de 1847 quando, o americano Edward Mayhew, descreveu o uso da inalação de éter para experimentos em cães e gatos.

Desde então, agentes inalados, como óxido nítrico e clorofórmio já foram uma evolução, que passou pelo primeiro agente administrado na veia, o hidróxido de cloral, chegando aos barbitúricos(até hoje utilizados), os agentes halogenados (anestesia inalatória) e o recente conceito de anestesia balanceada, que presa o uso concomitante de fármacos, afim de, proporcionar hipnose, relaxamento muscular e analgesia para o paciente.

Outro fator primordial para a segurança do procedimento anestésico: Monitoração! Sim, da mesma forma que o paciente humano, nossos pacientes também são monitorados com eletrocardiograma, oximetria de pulso, capnografia, pressão arterial e temperatura durante TODO O PROCEDIMENTO. Aí, cai por terra uma lenda que o anestesista “aplica a anestesia e vai embora”; a anestesia é um processo dinâmico, ela começa, muitas vezes, dias antes da cirurgia, com o estudo dos exames e do caso e, durante o procedimento, manejando a quantidade e qual fármaco utilizar, mediante as necessidades individuais de cada animal. E porque não falar do “pós cirúrgico”? Quando a cirurgia termina, o anestesista ainda está lá, garantindo o melhor retorno anestésico e assegurando que o animal não tenha dor.

Com relação aos “riscos”; sempre inicio a minha conversa com os tutores afirmando que, toda anestesia tem riscos, inclusive, o risco de morte. O que é essencial entender, nessa fala direta, é que eu, como anestesista, sou capaz de assegurar o melhor “meio” técnico para preservar a vida e garantir analgesia para o meu paciente e que, assim, é esperado o melhor “fim possível” para a situação. É uma situação totalmente diferente ao engenheiro civil, por exemplo, que, ao “fim” do seu trabalho, é obrigatório que exista um prédio. Medicina, humana ou veterinária, é uma profissão de “meio” e não de “fim”.

É importante ter em mente que é possível minimizar esses risco com: exames pré cirúrgicos e a monitoração durante a cirurgia! Mais do que isso, é essencial estar ciente que, um procedimento anestésico só é marcado quando, o benefício clínico do procedimento(cirúrgico ou de imagem) para esse paciente, supera o risco anestésico! Para essa “conclusão” se faz necessário uma discussão multiprofissional, envolvendo clínicos, cirurgiões, anestesistas e até tutores. Por fim, informação é a chave para minimizar o medo; nenhuma criança tem medo do escuro em si, o que se tem medo é do “desconhecido” que o escuro esconde; entender riscos e benefícios é a melhor forma de assegurar o melhor tratamento para nossos animais.

Por isso, não prorrogue a visita ao seu médico veterinário por “medo” do procedimento; visite um bom profissional, converse com toda a equipe, mostre suas dúvidas e anseios; isso nos ajudará a garantir o melhor para o seu “pet”. Carrego comigo o seguinte pensamento; meu objetivo não é que, um animal de pequeno porte viva 18 anos ou um de grande porte 12 anos… isso fica para os “Atlas de Raças de Cães e Gatos”; nosso objetivo diário é garantir que, o nosso paciente viva bem, em condições éticas de vida, pelo tempo que lhe cabe viver. Atualmente nossa anestesia não é mais feita para uma raça, idade ou tipo de cirurgia; estudamos a fundo os casos e produzimos uma anestesia única, para cada paciente. Nos visite para uma conversa.

M.V. Felipe Prado de Oliveira

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