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A paciente Nina Azevedo, uma Cocker Spaniel de 12 anos é considerada pela equipe da Onco Cane como uma paciente muito especial. Ela foi atendida em consulta em 22 de maio de 2015 com o histórico de nódulos mamários. Após a remoção cirúrgica e análise dos nódulos constatamos que a Nina tinha três tipos diferentes de câncer de mama (carcinoma tubular, carcinoma adenoescamoso e carcinoma misto com áreas sólidas) com um agravante, a análise de um dos linfonodos regionais (axilar) confirmou que haviam células metastáticas no gânglio linfático.

Lembro-me da expressão de tristeza e frustração dos tutores Ana Cristina e Renê quando esclareci a eles o prognóstico da doença, pois há cerca de um ano atrás o companheiro canino da Nina, o Cocker spaniel chamado Preto, havia falecido decorrente de complicações de metástase pulmonar de um melanoma de cavidade oral.

Como tratamento complementar à cirurgia recomendei que Nina recebesse algumas sessões de quimioterapia para evitar maior disseminação de células metastáticas porém, os tutores me informaram que eles (e a Nina) estavam de mudança para outro país em poucas semanas e, portanto, o tratamento deveria ser continuado lá. Para sorte da Nina eles me informaram que a nova moradia seria em Toronto, num bairro próximo à Ontario Veterinary College of University of Guelph, instituição que possui um dos melhores serviços de oncologia veterinária do Canadá, o Animal Cancer Center.

Assim que a família se instalou no novo país os tutores providenciaram que Nina fosse avaliada por colegas do Animal Cancer Center, com os quais mantive contato para esclarecimentos sobre o diagnóstico e tratamento iniciado no Brasil, como também durante o tratamento quimioterápico realizado lá.

No início de maio deste ano, cerca de 1 ano após o diagnóstico do câncer de mama de Nina, recebi um relatório dos colegas de Guelph informando que ela havia realizado exames de rastreamento de metástases e que não haviam evidências de recidiva ou metástase da doença!

Nina Toronto - esquiando

Atualmente, nossa amiga Nina Azevedo está tão bem que pode divertir-se esquiando com seus tutores em Toronto!

Notícias como esta confirmam que o tratamento quimioterápico complementar à mastectomia de tumores metastáticos é uma abordagem importante no controle da doença e no aumento da sobrevida das pacientes.

O câncer de mama é considerado um dos tipos mais comuns em cadelas fêmeas não castradas ou castradas tardiamente. Os hormônios sexuais secretados pelos ovários atuam como substâncias que estimulam a proliferação do tecido mamário que, com o tempo, pode propiciar a formação de tumores. Em cadelas, cerca de 50-60% dos tumores são malignos, enquanto que nas gatas este índice é ainda maior, cerca de 85%.

Existem duas forma dos tutores contribuirem ativamente para a cura ou controle da doença cancer de mama em animais de estimação:

(1) castrar precocemente cadelas e gatas; a esterilização cirúrgica previne a ocorrência da doença. A Nina havia sido castrada somente aos 5 anos de idade, quando os tutores a adotaram.

(2) levar a paciente a uma consulta veterinária quando o nódulo ainda é pequeno.  Pacientes diagnosticadas e tratadas precocemente têm maiores chances de controle ou mesmo de cura da doença.